Cuidados de Enfermagem à Pacientes Portadores de Lesão Neurológica


A – Prevenir escaras de decúbito

O cuidado cutâneo é essencial na vigência de inconsciência do paciente, paralisias ou alterações sensitivas, preservando a integridade da pele e possíveis infecções.

Cuidados:

- Manter a pele limpa, seca e hidratada.
- Mudar de decúbito a intervalos regulares, de no máximo de 2 horas, de acordo com a sensibilidade da pele do paciente. No caso de condições onde o paciente não pode ser mobilizado, no mínimo proteger as áreas de pressão (cotovelos, calcanhares, tornozelos, região occipital etc.)

B – Manter proteção ocular

O cuidado ocular visa prevenir o ressecamento e a ulceração das córneas e reduzir o edema palpebral

Cuidados:

Aplicar solução salina à intervalos regulares ou manter oclusão das pálpebras com micropore ou pomada oftálmica (conforme prescrição médica ) dependendo da evolução do paciente.
Fazer compressas frias nas pálpebras.

C – Avaliar o nível de consciência

O nível de consciência é dado essencial da situação do paciente. Qualquer alteração de um destes parâmetros, pode ter significado clínico importante. Utilizamos mais freqüentemente, a escala de Glasgow para acompanhamento do nível de consciência.

Abertura ocular
espontâneo – 4
ao comando verbal – 3
à estimulação dolorosa – 2
não abre - 1

Resposta verbal
Orientado e contactuando – 5
Desorientado e contactuando – 4
Palavras inapropriadas - 3
Sons incompreensíveis – 2
Não responde - 1

Resposta motora
Obedece – 6
Localiza a dor e retira o estímulo – 5
Localiza a dor – 4
Postura de decorticação – 3
Postura de descerebração ( extensão ) – 2
Não responde – 1

D – Controle rigoroso do diâmetro pupilar

O aumento da Pressão Intracraniana (PIC), assim como a formação de hematomas, podem acarretar a compressão do III par craniano, produzindo alterações pupilares. A identificação precoce e a pronta intervenção podem evitar seqüelas ou danos indesejáveis ao paciente.

Cuidados:

Verificar o diâmetro e reação à luz de hora em hora nas primeiras 12 horas, principalmente em pós-operatórios imediatos.

E – Manter decúbito elevado à 30 graus

O decúbito baixo favorece o aumento da PIC por promover estase venosa.
Até mesmo na verificação da Pressão Venosa Central (PVC), com zero neste mesmo decúbito.

F – Promover alinhamento tronco-cefálico, mantendo a cabeça centrada

A queda da cabeça para a lateral causa uma diminuição do retorno venoso, podendo causar alterações indesejáveis na pressão intracraniana (PIC).

Cuidados:

Utilizar o posicionador de cabeça “caixa de ovo”, ou mesmo protetores laterais para que a cabeça não fique lateralizada.

G - Observar distúrbios gastrointestinais

Estas observações auxiliam no diagnóstico precoce de gastroparesias e íleo paralítico, muito comum em pacientes acamados. Náuseas e vômitos também podem indicar hipertensão intracraniana.

Cuidados:

Observar funcionamento intestinal.
Observar sinais de náuseas e vômitos.

H – Executar balanço hídrico rigoroso

A manutenção das condições hídricas adequadas, evitando-se a hipervolemia, é importante medida de controle.

Cuidados:

Anotar todos os volumes que entram e que saem do paciente.
Controle da PVC periodicamente, quando em mãos de um cateter central (Veia Cava Superior, à nível de Átrio Direito).

I – Acompanhar níveis séricos dos eletrólitos do paciente

Alterações a nível de eletrólitos, podem levar à importantes repercussões hemodinâmicas.
Como exemplo:
Sódio (Na) – Níveis baixos causam rebaixamento do nível de consciência, podem levar a piora de quadros de edema cerebral.
Potássio (K) e Magnésio (Mg) – Alterações deste eletrólito, causam importantes arritmias cardíacas.

J – Controle de sinais vitais periodicamente

Alterações dos mesmos podem significar alterações na homeostase intracraniana.
Anotação e intervenção imediata facilitam o sucesso do tratamento.

K – Controle do débito urinário

A manipulação da glândula pode desencadear diabete insípido por alterações na secreção do hormônio antidiurético. Muito importante principalmente nas cirurgias de hipófise.

L – Promover ventilação adequada

Monitorar níveis de saturação de O² e CO².
A hipóxia e/ou hipercapnia podem desencadear alterações neurológicas importantes.

Cuidados:

- Pacientes com edema cerebral são hiperventilados com o objetivo de manter níveis baixos de PaCO2 sangüíneo e controlar a evolução do edema cerebral. - - Níveis ideais de PaCO2: 23 à 27 mmHg.
- Manter tubo traqueal em posição centralizada, evitando permanecer no canto labial, favorecendo o aparecimento de ulcerações.
- Verificar a pressão do cuff periodicamente, e manter entre 20 e 25 mmHg.
- Observar o padrão respiratório.
- Manter o suporte do respirador, em posição neutra, para que o tubo traqueal não exerça tração sob a traquéia.

M – Observar queixas de cefaléia:

O aumento da sua intensidade pode significar um aumento da PIC.

Cuidados:

Atentar às queixas do paciente e nunca menosprezá-las.

N – Controle da pressão de perfusão cerebral (ppc)

Muitas vezes é necessário manter a Pressão arterial Média (PAM) um pouco mais elevada, de forma a garantir uma Perfusão Cerebral adequada.
FÓRMULA: PPC = PAM – PIC

O - Observar presença de déficit motor

A tendência normal, pela própria imobilização, é o aparecimento de edema.

Cuidados:

Manter o membro elevado, com suporte.

P – Atentar para postura dos pés de pacientes inconscientes e/ ou imobilizados

A tendência normal, pela própria imobilização é a formação de pé eqüino.

Cuidados:

Desde o início da internação, utilizar suportes anti pé eqüino, quando em posição dorsal.

Q – Cuidados com pacientes em trauma raquimedular

São pacientes que requerem atenção quando a presença de déficit motor (paraplegia / paraparesia etc ) de acordo com a altura da lesão.

Cuidados:

- Manter em decúbito dorsal horizontal, evitando mobilizações desnecessárias.
- Recebimento do doente já com todas as proteções para se evitar úlceras de pressão.
- Movimento do paciente em bloco, quando necessário.
- Manter com colar cervical (em lesões cervicais)

R – Observação da extração cerebral de oxigênio (ECO²)

A ECO² identifica o grau de acoplamento entre o consumo e a oferta de O²
A ECO² é calculada através da equação abaixo:
ECO2 = Sata O² - Satj O²
Valores normais de ECO² variam entre 24 - 42%.

O aumento deste valor significa maior extração, e, portanto mais avidez, indicando uma situação anóxica-isquêmica.

Cuidados:

- Manter cateter bulbo jugular EXCLUSIVO para coleta de sangue e com identificação em local visível “exclusivo para coleta de sangue”
- Manter infusão contínua de Solução fisiológica 0,9% - 5 à 10 ml/h ( por bomba de infusão )
- Quando em uso de cateter bulbo-jugular de fibra-óptica, manter também infusão contínua de Solução fisiológica 0,9% - 5 à 10 ml/h ( por bomba de infusão );
- Manter o cateter bulbo-jugular de fibra-óptica sem dobras para uma leitura contínua precisa ( devido a presença de fibra-óptica ).

Autora: Enfª. Alda Queijo

2 Comentários:

valeria silva disse...

Uma orientação de fácil aprendizado e objetiva, porém não compreendi ao que se refere da glândula?? no que se diz respeito ao controle de diurese.
Valeria Silva:)

Adm. Blog disse...

Valeria,

É a glândula hipófise, produz o hormônio antidiurético, quando há insuficiência desse hormônio ou quando ele é impedido de agir, aumenta muito a quantidade de urina eliminada, causando uma doença conhecida como diabetes insipidus, que nada tem a ver com o diabetes mellitus.
Este tipo de diabetes aparece comumente após uma cirurgia craniana, podendo nesses casos ser transitório. Também pode ser causado por tumores dentro do crânio, aneurismas, traumatismo craniano, meningite ou encefalite.

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